quinta-feira, março 09, 2006

Mulher...


Ó mulher! Como és fraca e como és forte!
Como sabes ser doce e desgraçada!
Como sabes dingir quando em teu peito
A tua alma se estorce amargurada!

Quantas morrem saudosas duma imagem
Adorada que amaram doidamente!
Quantas e quantas almas endoidecem
Enquanto a boca ri alegremente!

Quanta paixão e amor às vezes têm
Sem o nunca confessarem a ninguém
Doces almas de dor e sofrimento!

Paixão que faria a felicidade
Dum rei; amor de sonho e de saudade,
Que se esvai e que foge num lamento!


A Mulher II - Trocando Olhares - Florbela Espanca